Campanhas sociais e publicitárias incentivam a leitura em nosso país


 

Roberto Duailibi, um dos principais publicitários brasileiros, fala à redação da ANL sobre como a publicidade pode impulsionar o incentivo à leitura e de que modo as associações do setor do livro podem trilhar por esse caminho. Além de reconhecido e premiado como publicitário, ele é escritor, professor e um dos mais requisitados palestrantes brasileiros. Duailibi foi o primeiro publicitário a ocupar o posto na Academia Paulista de Letras. É dele a cadeira de número 21 da APL.

ANL — O Senhor destaca, em suas entrevistas e palestras,  a importância da leitura em sua infância. Quais foram os aspectos que mais influenciaram seu gosto pela leitura?

Duailibi — Desde pequeno sempre li muito e o maior estímulo veio por parte de meu pai. Ele era um caixeiro viajante e sempre trazia para casa várias revistas de moda e assuntos gerais, os filhos devoravam todo tipo de texto. Além disso, frequentávamos a biblioteca da nossa cidade. Meu pai nos fazia decorar poemas inteiros e gostava de ouvir quando a família se reunia todas as noites, no jantar. Isso tudo despertou em mim o desejo da leitura.

ANL — Como os pais, em tempos atuais, podem promover o interesse pela leitura e pelo livro aos seus filhos?

Duailibi — Há, em minha opinião, de modo geral, um certo abandono pelos livros. Eles podem começar estimulando as crianças lendo livros para eles, exatamente como recomenda a propaganda do Itaú. Os pais que fazem isso certamente despertam o interesse da criança pela manipulação e leitura de livros. É preciso que todos entendam que o livro é um patrimônio e deve ser propagado e preservado.

ANL — Como surgiu a campanha “Leia para uma criança”

Duailibi — A campanha segue com muito sucesso na DPZT. O Itaú sempre foi uma empresa com destacado papel na cultura e por isso de pronto acatou a ideia de fazer uma campanha que promovesse o livro e, sobretudo, entre as crianças, um público que pode ser influenciado e oferecer respostas rápidas no futuro.












ANL — Qual seu principal legado? 

Duailibi — O principal legado da campanha é promover o livro em todas as idades, pois ao se estimular as crianças os adultos retomam o gosto pela leitura.

ANL — A publicidade pode impulsionar o incentivo à leitura?  De que modo entidades, como a Associação Nacional de Livrarias-ANL e demais do setor, poderiam trilhar esse caminho?

Duailibi — Acho que de certa forma todos tentam isso. Há por parte das academias de letras e entidades de livros um esforço muito grande nesse sentido, mas há uma concorrência muito forte por parte da internet e da televisão. A atração da internet, sobretudo, é muito grande e produz um efeito de passividade nas pessoas. Temos todos de perseverar nessas campanhas para manter o livro em alta. Podemos presentear mais com livros, falar mais de livros etc..

ANL — Em sua opinião, o que precisaria ser feito no Brasil para a melhoria dos índices de leitura em nosso país?

Duailibi — As escolas e os governos podem fazer políticas de educação que privilegiem mais os livros. Eles já fazem isso, mas esse trabalho precisa ser ampliado e estimulado. A saída de toda essa crise é a educação, é necessário investir mais em educação em todas as idades.

ANL — Como o Senhor avalia as Campanhas Sociais, desenvolvidas pelas agências brasileiras? Teríamos um comparativo como isso se desenvolve em demais países?

Duailibi — A propaganda brasileira é muito boa, de excelente qualidade. Temos um excelente trabalho criativo aqui no Brasil. No campo social, há muitos trabalhos importantes e na maioria das vezes voluntários, porque as entidades não possuem recursos para isso. Desta forma, considero muito bom o trabalho e acho que sem essas campanhas a vida das entidades seria ainda pior.

ANL — Sobre os seus livros? Nos conte um pouco sobre como surgiram? Como eles contribuem no ensino publicitário no Brasil? 

Duailibi — Sou um autor modesto, tenho livros de citações e frases que resultaram um grande sucesso principalmente entre oradores. E tenho também livros nas áreas de propaganda e marketing que fazem enorme sucesso entre os estudantes. Os que tiveram e têm acesso a eles podem experimentar um pouco da experiência acumulada ao longo de mais de 50 anos de trabalho. Sempre pregamos na DPZ a ética nos negócios, o bom gosto criativo, o respeito às pessoas e ao público. Tudo isso com grande dose de humor e ousadia. Essa é a fórmula da boa propaganda.

ANL — Tem alguma intenção em envolver-se em novos projetos culturais de incentivo à leitura? 

Duailibi — Estou sempre aberto a novos projetos. Como membro da Academia Paulista de Letras sou um incentivador incondicional dos livros e tento cumprir esse papel em palestras e entrevistas como esta, mas estamos todos muito empenhados em promover o livro e o papel que ele pode cumprir na sociedade, como principal ferramenta da educação.

(por Marilu Amaral, editora www.anl.org.br).