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"Um país sem remédios não tem saúde.
Um país sem livrarias não tem remédio"
- Bernardo Gurbanov, Presidente.


VALE A PENA, A OBRA DE LOBATO NÃO É PEQUENA



FONTE:ANL

Data da Publicação: 01/05/2017

 Instituto Pró-Livro publicou em março de 2016 o resultado da 4ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil. Dentre os vários itens que analisaram o comportamento do leitor brasileiro, um particularmente chama a atenção. À pergunta : “Qual é o escritor brasileiro que você mais gosta?”, pela quarta vez Monteiro Lobato foi o que recebeu mais votos. Seguiram-se Machado de Assis, Paulo Coelho, Mauricio de Souza, entre outros. Essa admiração vem lá das leituras e lembranças dos livros que povoaram  a infância de muitos leitores mirins. Numa época em que as primeiras obras para crianças brasileiras eram histórias francesas recontadas e traduzidas por portugueses, com vocabulário rebuscado, Lobato  inovou ao adotar em sua obra infantil o coloquialismo,  ao trazer o folclore nacional,  clássicos da literatura universal, conteúdos escolares.

Autor e sua Obra

As personagens do Sítio do Picapau Amarelo conviviam com personagens folclóricas, como o Saci-Pererê, ao lado de outras do imaginário literário e cultural, como Peter Pan, Dom Quixote, Pinóquio, Gato Félix, Minotauro, Hércules, príncipes e princesas.  A versões televisivas do Sítio do Picapau Amarelo também contribuíram para gravar na memória a figura de Lobato. E foram cinco as séries:  a primeira pela TV Tupi  entre 1952 e 1962, com adaptação de Tatiana Belinky. A segunda, pela TV Cultura em 1964. A terceira, pela Rede Bandeirantes em 1967. A quarta, pela Rede Globo entre  1977 e 1986. E a quinta, também pela Rede Globo, de 2001 a 2007.



Homem irrequieto, curioso e interessado na diversidade brasileiro, Monteiro Lobato era considerado nacionalista. Atuou como jornalista, escritor, crítico de arte, tradutor, editor, empresário no ramo petrolífero, entre outras atividades.

A literatura infantil é a faceta mais conhecida de Monteiro Lobato, que inclui 26 obras, além da tradução e adaptação de clássicos dos Irmãos Grimm, Andersen,  Perreault, Jonathan Swift, Lewis Carroll, Eleanor Porter, Daniel Dafoe.

A literatura menos conhecida de Lobato – que vem sendo relançada pela editora Globo, depois de anos de disputa entre os herdeiros e a editora Brasiliense, antiga detentora dos direitos de publicação – é composta de 29 obras. São contos, crônicas, conferências, prefácios, entrevistas, cartas e o único romance: O presidente negro.

Sempre é tempo de descobrir e redescobrir Monteiro Lobato, que tocou em questões que, de uma forma ou de outra, reverberam nossa atualidade.  Quando se discute o ensino da norma culta e sua revisão, vamos até Emília no país da gramática (1934). Em tempos de Halloween nas escolas, temos O Saci-Pererê: resultado de um Inquérito (1918). Quando o assunto é o pré-sal, vale a leitura de O escândalo do petróleo (1936).  Sobre saúde, O problema vital (1934). No país em que empresário do minério “se ferra” e o Congresso resiste ao voto aberto: O ferro (1931) e O voto secreto (1924).

E para conhecer um pouco dos sucessos, fracassos, angústias, esperanças, decepções, dores, alegrias de Lobato, A barca de Gleyre (1944) traz a correspondência trocada durante 40 anos entre Lobato e Godofredo Rangel. 

 

Enfim, há Lobato para todo gosto, porém, sempre provocativo e polêmico.  À leitura!

 

 







Agnaldo Alves. Formado em Letras pela Universidade de São Paulo (USP),
pesquisador do mercado editorial, trabalha (diverte-se) 
com livros há 20 anos. Atualmente é redator na Cortez Editora.).

por Agnaldo Alves*
(Revisitando Revista ANL. Edição 54)